segunda-feira, 27 de abril de 2009

Conhecendo Lublin

Estando agora em Jerusalém, parece tão distante falar do que aconteceu na Polônia, embora ainda ontem (literalmente ontem) viajávamos por aquele país aprendendo sobre nós mesmos.


Acordamos cedo ontem (como de costume) e fomos do nosso hotel diretamente para a cidade de Lublin. Desta vez saímos do hotel já com as malas e levando tudo, pois sabíamos que, no final do dia, embarcaríamos para Israel.


Nesta cidade, antes da guerra, 1/4 da população era judaica. Fomos conhecer a famosa Yeshivá (academia de estudos judaicos) de Lublin e lá nos reunimos com todos os grupos de São Paulo para estudar com o Rabino Borer (de SP) um trecho do Talmud e fazer reviver o estudo neste centro, cujas paredes exalam conhecimento, e que já concentrou os maiores sábios do povo judeu.

De lá, fomos ao antigo cemitério da cemitério da cidade onde, entre outros, estão enterrados o chozé de Lublin e o Maharshal que, entre outras coisas, introduziu e popularizou o costume das festas de bar e bat-mitsvá.

[entrada da Yeshivá de Lublin]

De lá, viajamos até Majdanek (leia-se Maydanek). Na verdade, dizer que viajamos é um exagero, já que o campo de concentração e extermínio ficava a poucos kilometros da cidade de Lublin, fato que nos impressionou: as pessoas estavam muito próximas e podiam ver de suas casas na cidade o que ocorria no campo e, ainda assim, o terror e a destruição eram diários lá.

Yerushaláim Shel Zahav (Jerusalém de Ouro)

Chegamos em Israel com grande alegria e emoção, depois de viajar a madrugada. Do aeroporto fomos direto ao Kotel, depois tomamos café e passeamos pelo centro e, em seguida, viemos para o Hotel (que deixa os hoteis da Polônia no chinelo).

Neste momento, escrevo diretamente do lobby do Hotel HaShalom e já estão todos em seus quartos descansando para a programação da noite, pois hoje ao anoitecer começa o Yom HaZicaron.

Nosso último dia na Polônia também foi muito emocionante e cheio de conteúdo. Nos próximos posts, contaremos um pouco do que aconteceu no nosso último dia em território polonês e como foram as primeiras horas na terra santa de Israel.

sábado, 25 de abril de 2009

Semana que Vem - Em Jerusalém

Bom, agora já é tarde aqui em Varsóvia e temos que acordar bem cedo amanhã. Visitaremos Lublin e Majdanek e vamos direto para o aeroporto, embarcar para nossa terra de Israel.

Chegando lá, iremos direto ao Kotel e depois ao hotel. Então (a não ser que tenhamos conexão wireless no aeroporto) acho que este é o último post polonês e o próximo já virá direto de Jerusalém (provavelmente na segunda-feira).

Boa noite, nos vemos em Jerusalém!

Campo da Morte

Saímos da floresta de Lupochowa e fomos diretamente para Treblinka. Lá vimos um grande monumento em homenagem a todas as comunidades que foram exterminadas neste terrível lugar.

No lugar onde estava o campo, cujos vestígios os nazistas tentaram apagar, agora erguem-se centenas de pedras erguidas em formas de lápide - cada uma representando uma comunidade com milhares de pessoas exterminadas nesta máquina de morte. Mais de 800 mil pessoas foram mortas em Treblinka.

Fizemos um breve ato em homenagem às vítimas e voltamos para o nosso hotel, em Varsóvia, para nos preparar para o Shabat.


Triste Fim

Infelizmente, após ver toda a alegria e a vida que existia na pequena comunidade de Ticocyn, fomos à floresta de Lupochowa.

Para lá foram levados praticamente todos os judeus de Ticocyn. Três grande valas foram cavadas e os judeus foram fuzilados e enterrados diretamente nessas 3 imensas covas coletivas.

Ainda hoje, podemos ver as imensas clareiras em meio à floresta fechada. Nestas clareiras está enterrada a comunidade judaica de Ticocyn.


O Mito da Câmera-Cor-de-Rosa

Desde o primeiro dia da viagem, o rabino Daniel tenta explicar que sua linda câmera cor-de-rosa (que causa inveja a todas as gurias do grupo) na verdade não é sua, e sim de sua esposa Débora.
Alguns acreditam e outros não. O assunto se tornou um mistério e, dentro de alguns círculos, até um Tabu.


Mas o pessoal do grupo já se acostumou com a tal câmera. O problema são os poloneses: cada vez que o Daniel pede para alguém tirar uma foto, vem aquele olhar desconfiado. Daí o jeito é dizer: "It´s not my camera. It´s my wife´s camera. I would never buy a pink one..." ("não é minha câmera. É da minha esposa. Eu nunca compraria uma câmera rosa...")


Xiiiiii! Essa história da câmera vai virar lenda...


ÔÔÔÔÔÔ AIAIAIAI

Em Ticocyn, visitamos a sinagoga. Realmente um lugar belo e impressionante, outrora o centro de uma pequena e longeva comunidade com 2500 pessoas. Lá, os judeus habitaram, prosperaram e floresceram desde 1522.

Resolvemos trazer novamente VIDA para esta sinagoga e reafirmar que AM ISRAEL CHAI ("o povo de Israel vive!")

Veja o vídeo:

Se Eu Fosse um Homem Rico... (iabadiba diba diba)

Na manhã de sexta fomos para o pequeno shtetl de Ticocyn (ou Tiktin).

No caminho, assistimos ao filme "Violinista no Telhado" (pois é, no ônibus tem TV com DVD). Nosso querido guia, o Pato, disse que o shtetl que iríamos conhecer era semelhante à Anatevka (o shtetl do filme).

Daí, inspirados no filme, os meninos resolveram fazer uma performance para mergulhar no clima do shtetl, afinal, o mais importante é TRADITION!

Assita a uma amostra desta incrível e inédita interpretação que comoveu a todos, revivendo o bem-humorado espírito do shtetl. (Primeiro Vídeo do Blog)


Shavua Tov

O Shabat acabou há pouco e foi muito divertido. Agora atualizamos o blog com aquilo que rolou na sexta e no sábado.

Sexta feira estivemos em um pequeno shtetl chamado Ticocyn (ou Tiktin), onde outrora floresceu uma comunidade judaica com 2500 membros. Depois fomos à floresta de Lupochowa e durante a tarde visitamos o campo de extermínio Treblinka.

No shabat, estivemos em Varsóvia. Fomos ao kabalat shabat na sinagoga de Noczyk (leia-se Nójik) e passeamos pela cidade e pelo antigo Gueto, onde foram confinados mais de 450 mil judeus entre 1941 e 1943. Além disso, como era Shabat, comemos bem - foi o primeiro dia sem sanduíche - teve comida mesmo e tava muito boa!

Nos próximos posts, vamos publicar o que rolou na sexta e durante o shabat. Amanhã teremos também um dia bem cheio e já partimos para Israel!

Shabat Shalom!

[Atenção: Este post foi originalmente postado na sexta-feira, 24/04]

A Sexta-feira foi bem cheia, estivemos em um pequeno shtetl, uma floresta e também em Treblinka. Em alguns minutos vai começar shabat e iremos à sinagoga de Noczyk, em Varsóvia.

Portanto só teremos tempo de escrever agora depois do Shabat, no sábado à noite. Dai explicaremos melhor o que rolou na sexta e postaremos fotos e o primeiro video do Blog, se D-us quiser.

Até lá Shabat Shalom!



* comentários enviados e recuperados:


schul disse...


Shabat Shalom a todos, com muita emoção!
24 de Abril de 2009 13:57




Beatriz disse... Kitchuki da mamae;


Espero que estejas te alimentando direitinho, e nao esquece de levar o reckale pra nao passar frio.


Estas fazendo muitos amiguinhos por aí, pois posso ver pelas fotos.


Muito beeemmmmmmmm


Debora Sukster;Vais perder a Chazit amanhã. SÓ LAMENTO!!!Vai estar ótimoUm beijo a todosTitio
24 de Abril de 2009 19:28

No Céu com Diamantes

[Atenção: Este post foi originalmente enviado na quinta-feira, 23/04]


Inspirados pelo clima de cultura e artes que permeia a cidade velha de Varsóvia, um grupo de alunos resolveu se aventurar no complexo universo da música de sarjeta.

Sob os céus da capital polonesa, cantaram "Lucy in the sky with diamonds", de John Lennon. Infelizmente, parece que o dinheiro arrecadado não deu nem para comprar uma lembrancinha para levar para casa...


Conhecendo um Pouco da Polônia

[Atenção: Este post foi originalmente postado na quinta-feira, 23/04]

Depois de visitar Lodz e conhecer a história desta cidade que reunia 230 mil judeus antes da guerra e seu trágico destino, fomos ao centro histórico Varsóvia e tivemos a oportunidade de passear um pouco e gastar nossos zlotys até aqui intocados (pais: preparem-se para as faturas dos cartões de crédito!).

É uma cidade muito bonita, destruída durante a guerra e reconstruída anos depois, com uma esplendorosa arquitetura e impressionante beleza, típica das antigas cidades européias.


[Centro Histórico de Varsóvia]

[Centro Histórico de Varsóvia]



Pawel, nosso guia polonês, pediu para que a gente não usasse roupas com bandeiras de israel ou inscrições em hebraico para não chamar a atenção. Por isso, alguns alunos vestiram suas roupas do avesso e o rabino Daniel, para cobrir a kipá, vestiu uma boina. Reparem como realmente não dá para dizer que ele é judeu...






Centenas de Anos de Vida Judaica

[Atenção: Este post foi originalmente enviado na quinta-feira, 23/04]


Após visitar o Gueto de Lodz, fomos ao antigo cemitério judaico da cidade.
Lá tivemos uma idéia do tamanho daquela comunidade e do quanto ela prosperou durante séculos. Mais de 50.000 túmulos, alguns deles muito impressionantes por sua beleza.

Lá também vimos a casa de Tahorá (purificação) do cemitério e aprendemos um pouco a repeito dos costumes e leis judaicas que envolvem a cerimônia do enterro e o luto após o falecimento.




[Casa de Tahorá (purificação) do cemitério de Lódz]


[Cemitério de Lódz]


Longa Viagem a Lódz (leia-se Wudj)

[Atenção: Este post foi originalmente postado na quinta-feira, 23/04]

Hoje partimos bem cedo para Lodz (em polônes se pronuncia Wudj). Desde o hotel viajamos cerca de 3 horas e meia, tempo durante o qual ouvimos explicações, tivemos uma aula breve sobre judaísmo e temas relacionados e alguns aproveitaram para, carinhosamente, tirar uma soneca.








Chegamos no monumento no lugar onde ficava o Gueto de Lodz. Em forma de uma locomotiva, um extenso tunel exibe as listas originais nas quais constam os nomes dos judeus deportados de Lodz para campos de extermínio. Ao todo, mais de 145.000 judeus foram deportados desta estação.






Ao lado do monumento, vimos uma estação de trem com os vagões originais da época da guerra - os mesmos vagões nos quais os judeus (mais de 100 em cada pequeno vagão) eram deportados para os campos.

Entramos todos, professores, madrichim e alunos, no vagão, onde fizemos um duro exercício de reflexão. Neste mesmo lugar se apertavam crianças, adultos, idosos e bebês - alguns cientes de seu destino e outros sem idéia da morte que os aguardava.



Aparando as Arestas

Houve uma confusão com o blog nas postagens de quarta, quinta e sexta. Por isso tive que excluir as últimas duas para organizar melhor o blog.

Para ficar mais claro:

Quarta feira saiu ao contrário - a ordem do que a gente fez no dia foi:

- Conhecendo a Vida
- Uma Dura Travessia
- Conhecendo a Morte
- Jantar e Cama

Quinta feira tivemos um dia cheio e só tinha sido publicado um post. Agora publico os cinco referentes ao dia de quinta:

- Longa Viagem a Lódz (leia-se Wudj)
- Centenas de Anos de Vida Judaica
- Conhecendo um Pouco da Polônia
- No Céu com Diamantes

E o post de sexta eu tive que reenviar para ficar na ordem certa. Peço desculpas para quem mandou comentários, coloquei os comentários enviados no pé do texto.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Conhecendo a Vida

Hoje de manhã fomos ao antigo bairro judeu da Cracóvia, chamado Kazimierz, onde os judeus viveram por cerca de 600 anos, até o início da Segunda Guerra. Se ontem conhecemos o caminho da morte, caminhando por Aushwitz e Birkenau, hoje pudemos conhecer um pouco da vida - da florescente e rica vida judaica que se desenvolveu na Polônia durante séculos.

Lá, visitamos três sinagogas, cada uma especial e com uma história única. Entre elas, está a sinagoga do rabino Moses Isserles, o Remá, um dos mais importantes rabinos do mundo Ashkenazi e que viveu aqui no século XVI. Seus livros são lidos até hoje e suas opiniões sobre a lei judaica são levadas em consideração por quase todos os judeus ashkenazim no mundo.

Fomos também para o antigo cemitério da cidade onde visitamos os túmulos de personagens importantes da história judaica na Polônia. Pela primeira vez pudemos entender um pouco da dimensão da vida judaica que havia na Polônia e que se perdeu com o holocausto: Somente em Cracóvia haviam mais de 64.000 judeus (6 vezes mais que em Porto Alegre) - cerca de 1/4 da cidade - e que viviam aqui há mais de 600 anos (seis vezes mais que em Porto Alegre). Também em Varsóvia os números impressionam: antes da guerra, 1/3 da cidade eram judeus, cerca de 300 mil judeus. E tudo isso se perdeu. Mais de 3 milhões de judeus viviam na Polônia - uma comunidade com cerca de 800 anos, hoje são cerca de 4 mil judeus no país. É impossível compreender tudo o que se perdeu...



Uma Dura Travessia

Saímos do antigo bairro de Kazimierz a pé e caminhamos através de uma ponte sobre o Rio Vistula. Fizemos o mesmo caminho que os judeus de Cracóvia que foram obrigados a deixar para trás suas casas e se mudar para o Gueto, que ficava na outra margem do Rio.

Deixaram para trás suas casas, seus negócios, suas vidas e 600 anos de história. Famílias que viviam ali há centenas de anos, da noite para o dia foram obrigadas a mudar-se para o Gueto.

Nós seguimos seus passos, pensando no que isso deve ter significado para eles. Passamos sobre uma linda ponte, uma paisagem bela, porém com pensamentos perturbadores. Do outro lado está o Gueto e não sabemos o que nos aguarda.

No antigo Gueto há um monumento e lá conhecemos a farmácia de Thadeus Pankiewicz, um polonês que ajudou a salvar judeus no Gueto de Cracóvia. Também fomos até o local no qual funcionou a fábrica de Oscar Schindler, que ficou famoso através do filme de Spielberg, e ajudou muitos judeus a se salvarem da Shoá.
Trecho do muro que isolava o Gueto de Cracóvia

Em frente à fábrica de Schindler

Vista da ponte sobre o Rio Vistula


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Conhecendo a Morte


De Cracóvia, fomos direto para Aushwitz. Ontem estivemos lá na Marcha, mas, devido ao grande evento, não tivemos tempo de conhecer o Museu e entender essa terrível máquina de morte. Hoje fomos conhecer o campo Aushwitz I e seu Museu que reproduz em parte a história do maior complexo de extermínio construído pelo regime nazista.
Não há palavras para descrever o que vimos. Foi também uma experiência pessoal e única para cada um. Não há palavras para expressar e não há maneira de entender o processo de desumanização ao qual foram submetidos os judeus enviados para este lugar. Mais de 1 milhão de judeus foram enviados para lá. Poucos saíram.

Jantar e Cama

Depois deste cansativo dia, no qual vimos os dois extremos: 700 anos de construção de uma rica e bela vida judaica na Polônia de um lado, e a metódica destruição desta vida em poucos anos, voltamos para Cracóvia com muito para pensar.
Fomos para o restaurante jantar e, no Hotel, nos reunimos para dividir nossas experiências e sentimentos neste dia tão impactante e tão forte. Foi realmente uma experência profunda.
Agora vamos dormir. Amanhã cedo partirmos para Lodz, onde vivia uma comunidade de 230 mil judeus antes da guerra e da qual sobraram pouco mais de 900 pessoas. Também vamos a Chelmno e voltamos para Varsóvia onde dormiremos amanhã.